Menos é mais

Eu tenho pensado muito nessa máxima que dá título ao post de hoje. Menos é mais.

Eu nunca fui de “menos”. Sempre fui de “mais”. Lembro, quando criança, de ir para o colégio cheia de balangandãs. Minha mãe, essa, sim, de “menos”, adepta do esmalte misturinha e das roupas com poucas informações, dizia: “deixa ela ser perua agora… quando for adulta, vai ter esgotado toda vontade”. Eu ria e não acreditava. Achava que ser “mais” era minha sina.

Pois o tempo tem provado que profecia de mãe tem mesmo fundamento. Vejo que venho limpando meu estilo. Os excessos cada vez são passado. Seria a idade? Porque tendo a achar que exageros acabam combinando mais com o frescor e a despreocupação da juventude… Vejo mulheres mais velhas e as que considero elegantes são sempre as que apostam em boas peças, com poucos elementos, mas muita elegância.

 

Glória Kalil sabe muito bem a diferença entre um acessório marcante e uma ousadia desmedida. Nesse look, o lenço colorido e grande é o destaque, mas sem pesar a mão e comprometer a produção toda montada com peças clássicas. Ótimo para nos inspirar!

Isso não significa, na minha opinião, fugir de cores e acessórios. Ser adepta do “menos é mais” não significa ser minimalista – tendência que voltou em 2010 através das grifes Céline e Chloé, num resgate da moda dos anos 90. E defendo meu ponto citando dois exemplos de mulheres elegantes que estão sempre impecáveis com seus lenços nos pescoços, suas pulseiras nos braços, seus casacos de cores fortes, porém, e apesar disso, sóbrias. Falo de Glória Kalil e Regina Martelli, para mim, ícones do que considero a perfeita equação do “menos é mais”.

As consultoras de moda Glória Kalil e Regina Martelli são exemplos de elegância com pouco esforço (pelo menos aparente).

As duas são, para mim, o exemplo de como ser sempre mais – ou seja, sobressair, ser ícone – com menos – boas peças, de corte preciso, tecidos impecáveis, cores de impacto que tiram o básico da mesmice, mas sem transformá-lo em exótico.

Clássicos, como a camisa de malha listrada, são peças imprescindíveis para quem quer montar um guarda-roupa onde "menos é mais".

Lembro de Glória caminhando pelo Pavilhão da Bienal no último São Paulo Fashion Week com casaco 7/8 amarelo ovo com cachecol roxo. Duas peças marcantes, uma combinação ousada… e o resultado: uma imagem que ficou para mim como símbolo da elegância nada óbvia, mas nem por isso excêntrica.

As cores podem, sim, estar num guarda-roupa "menos é mais". Por que não?

Regina Martelli, por sua vez, me inspira por parecer se divertir com o que veste. Está sempre impecavelmente produzida, mas sem parecer montada. Tem uma leveza típica de quem vive no Rio de Janeiro e sabe que ser elegante é bem mais simples e bem menos matemático do que a maioria dos “certos e errados” nos fazem crer.

Regina Martelli e sua elegância sempre sorridente e atenciosa.

Certa vez entrevistei Regina para o programa Tamanho Único, do GNT, e tive o privilégio de entrar no seu closet – na verdade um quarto de vestir. Fiquei encantada com o acervo vasto de acessórios da consultora de moda. Ela guarda uma quantidade incrível de colares, pulseiras, anéis, brincos, óculos, lenços, bolsas, dos mais variados estilos, passando por todos os tipos de materiais – dos mais caros aos mais baratos.

Bases neutras e acessórios coloridos - equação certeira para qualquer verão, independente dos modismos

Pois foi ali, diante daquele mundo de possibilidades, dentro do closet de Regina, que me dei conta de que o meu “menos é mais” deveria seguir por esse mesmo caminho: bases neutras e acessórios relevantes.

É esse exercício que venho fazendo nos últimos meses. É nesse caminho que pretendo evoluir daqui pra frente.

Bjks,

Patrícia Koslinski.

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~ por patriciakoslinski em 2010/10/20.

5 Respostas to “Menos é mais”

  1. Eu gosto dessa ideia..
    Bjos

  2. Gostei muito da matéria. Acho que o caminho são os acessórios mesmo! O texto é uma delícia de ler, muito leve, didático e completo.

  3. Eu sou bem jeans e blusa com detalhes. Em Manaus, não tem ser que aguente muitos fru-frus e lenços, mas é sempre possível destacar uma peça, ser elegante mas sem cair nas armadilhas da peruice.
    Bj, @LydiSan

  4. Patrícia.
    Achei seu texto de hoje particularmente encantador. Venho notando que, a cada dia, você imprime mais conteúdo no que escreve, sem abrir mão da leveza, o que torna tudo muito mais atraente para quem lê.
    Parabéns!
    PatPuretz.

  5. Adorei a matéria, amo a Regina Martelli, que é linda e elegante. Eu ainda não encontrei o meu estilo…. é um desespero. Mas como já entrei nos “enta” penso que daqui pra frente preciso de mais elegência do que fashionismo.

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