2011 na Moda

Ano novo, temporadas de moda brasileiras se aproximando, e a perspectiva de que tudo vai ser diferente.

Em moda, tudo muda numa velocidade impressionante. Ou pelo menos essa é a sensação. A cada seis meses vemos coisas novas nas passarelas, propostas distintas, rupturas que despertam desejos, mas supõem aflição. “Será que dou conta de tanta novidade?” “Ai… quero usar T-U-D-O!” “Mas o que quero usar de verdade?”

 

Dior Inverno 2011

Campanha Prada Inverno 2011

A substituição do velho pelo novo é o que move a indústria da moda. É o que gera o consumo. É o movimento que está na base da estrutura capitalista. Somos levados a nos cansar facilmente das coisas ainda frescas, lançadas há menos de seis meses, mas que sofrem de um certo desgaste de imagem. Desgaste esse que se potencializa nos dias de hoje com a internet. Tudo porque a novidade lançada lá na Europa ou nos EUA, logo (tipo na mesma hora) chega aqui em forma de um milhão de imagens, posts em blogs, matérias em sites, vídeos de desfiles, fotos de celebridades andando para lá e para cá com o novo hit. Ou seja, nem temos e já desejamos muito. Na prática, acaba que consumimos a imagem e, quando a tendência chega de verdade e massificada para a gente, nas lojas, estamos meio esgotados, ainda que não nos demos conta disso. Usamos um pouco e logo nos cansamos.

 

Burberry Inverno 2011

E assim o ciclo se reinicia porque, nessa hora, já desejamos o mais novo ainda. É frenético, não? E nos leva às dúvidas de sempre: o que usar, quando usar, no que apostar… Ou não leva a questionamento nenhum, com o consumo pelo consumo, sem reflexão, sem construção de um estilo pessoal. Tendência por tendência e só isso. Mais nada.

Mas alto lá! Tem mudança à vista nesse processo. Mudança, na verdade, já em andamento. Falo da reavaliação dos hábitos de consumo modernos sob o ponto de vista da sustentabilidade. Nossa fúria consumista agride o planeta e a resposta começa a aparecer nas iniciativas de reaproveitamento de roupas, resgate de peças antigas, trocas e vendas de usados e valorização do que tem História em detrimento do simplesmente novo.

Por isso, se eu pudesse eleger uma tendência que vai reger a Moda nesse ano que começa agora é a da roupa com reflexão, com consciência. Isso significa desde a valorização dos tecidos e processos têxteis que preservam ou diminuem as agressões ao meio ambiente até a postura de repensar compras e olhar com carinho para o que já se tem. Na minha opinião, essa segunda parte é a mais bacana e fácil de fazer tendo em vista o cenário atual de roupas caríssimas e peças sustentáveis ainda fora do patamar razoável de preços.

 

Estocolmo é a cidade que representa muito bem esse momento. Renata Abranchs, do blog Rio Etc e mente à frente do Bureau de Estilo que leva seu nome, apontou na palestra para as tendências outono-inverno 2011 promovida por ela ano passado que essa cidade européia é hoje a vanguarda em estilo e comportamento de moda. Lá, segundo Renata, o hábito de troca de roupas entre amigos e mesmo desconhecidos, nas lojas, se reflete no estilo criativo de seus cidadãos jovens, que prezam pelo conforto e design, sem muitas regras, com absoluta liberdade. Liberdade essa que acabaria tolhida se o universo de referências na hora de montar os looks fosse só o que as passarelas e, em última instância, as lojas oferecem.

 

 

Para se inspirar (não necessariamente gostar e usar) e exercitar a sua maneira.

Bjks e Feliz 2011!

Patrícia Kolsinski

P.S.: Queria agradecer o copy desk feito pela Andreia. Na pressa, alguns erros passaram e ela, muito gentilmente, me corrigiu em comentário privado. Obrigada, Andreia. Bjks especiais.

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~ por patriciakoslinski em 2011/01/04.

5 Respostas to “2011 na Moda”

  1. Patrícia,

    Parabéns por este post. É urgente que os jornalistas e outros comunicadores de moda e estilo tenham um olhar crítico para a indústria do consumo. Voce tem assumido belissimamente essa responsabilidade social e ambiental no seu blogue. Parabéns.

    Beijinho da Andréia

    PS. Aproveito para apontar duas gralhas no seu texto: 1)lançadas a(há) menos de seis meses; 2) tolido (tolhido). E peco desculpas pela falta de alguns acentos e cedilhas no meu comentario, mas o meu teclado ingles nao me deixa!

  2. post maravilhoso e super reflexivo. acho que deveriamos promover essa troca de roupas no nosso meio fashion.
    Nada melhor do que criar um estilo proprio e fazer a sua tendencia.
    adorei, parabens!
    beijos

  3. Patricia:
    Sou designer industrial com mestrado numa das melhores escolas americanas – a RISD – escrevo sobre moda e comportamento e tenho um site e um blog, este último que gostaria que v. conhecesse e se possível linkasse com o seu. Escrevo sobre sapatos, perfumes Sou designer industrial, com Master de uma das melhores escolas americanas – a e outros assuntos, numa visão bem específica da minha profissão. Adoro seu trabalho e seu blog. Ficaria muito feliz se pudessemos estar em contato. Grata. Abraços Suzana M. Sacchi Padovano
    http://www.sacchidesigners.com.br/blog (da wordpress) e http://www.sacchidesigners.com.br

  4. Oi, Patricia,
    Tudo bem?
    Espero que não consideres uma intromissão este meu e-mail. Também sou jornalista, trabalhei em TV por muitos anos e confesso que sempre achei meio esquisito quando pessoas estranhas me mandavam e-mail falando como se fossem minhas conhecidas de longa data. Enfim, eis que o feitiço vira e cá estou eu, escrevendo para uma “amiga”.
    Acompanho tua trajetória desde os tempos de repórter nos bastidores dos eventos de moda, sempre gostei muito da tua desenvoltura leve e descontraída no vídeo e, principalmente, do conteúdo dos teus trabalhos. Gosto das tuas informações, sempre completas, sem afetação, acessíveis para o público que consome moda mas que não faz parte do mundo fashion. Sei que é difícil não se render a esse mundo e manter os pés no chão.
    Estou morando em Pequim, China, mas continuo acompanhando teu blog. Adorei os vídeos! E este meu e-mail é exatamente para reclamar a falta de notícias.

    Li a matéria na TPM sobre o teu sonho de ser mãe e a dificuldade de engravidar. Fostes muito corajosa em levantar o assunto. Fiquei bem feliz (de verdade!) quando soube que você estava esperando um bebê. Tanto que, com a ausência de posts, comecei a ficar preocupada. Espero que esteja tudo bem.

    Já acompanhei de perto a gravidez de algumas amigas e agora, estou acompanhando à distância a gravidez da minha melhor amiga, eu da China, ela no Brasil. Seria legal poder acompanhar a tua também.

    Teus posts estão fazendo falta aqui na minha vida chinesa!
    Espero que esteja tudo bem!
    Um beijo,
    Camila.

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