Os anos 20 na Londres de hoje

•2010/11/12 • 1 Comentário

Estamos em que ano mesmo? 2010 ou 1920? Os desavisados podem se confundir se levarem em consideração o figurino da menina londrina.

Eu enlouqueci com essa menina que parecia perdida (ou esquecida) no Thames Path, que é uma espécie de calçadão à beira do rio Tâmisa, em Londres. Em dias sem chuva,  fica repleto de turistas que se misturam aos cidadãos londrinos que usam o caminho super agradável para ir de um compromisso a outro.

Como eu estava de férias, aproveitei o clima gostoso de uma singela quarta-feira para sentar num bar, pedir uma cerveja e acompanhar o vai e vem nessa passarela de múltiplos estilos. Tão múltiplos quanto Londres é capaz de abraçar.

A menina que parecia saída de um túnel do tempo usava o famoso chapéu cloche, um marco dos anos 20. Cloche é uma palavra francesa que quer dizer sino, uma referência direta à forma desse acessório.

 

O famoso chapéu cloche, um clássico da década de 20 que pode ser encontrado ainda hoje em muitas lojas de acessórios.

Aqui o chanel bem curtinho e com franja que a atriz e cantora Mayana Moura está usando na novela da Globo Passione, parte da caracterização da personagem Melina, uma estilista.

E aqui uma das inspirações de Melina: a atriz Louise Brooks.

O cabelo chanel quando curtinho como da personagem Melina e o de Louise Brooks sequer aparece sob o chapéu. O cloche, com sua forma de sino, parece abraçar toda a cabeça.

Pena que não consegui fotos melhores da tal menina londrina fã dos anos 20. Mas mesmo assim, comparando o estilo dela com fotos de época, fica fácil entender sua inspiração.

Aqui ela passando pertindo de mim. Dá para ver a parte da frente do look.

Vestidos soltos com cintura deslocada para o quadril e nada de corsets ou espartilhos para marcar a silhueta. O visual dos anos 20 era perfeito para evoluir no charleston, dança que marcou os "anos loucos", como a década de 20 ficou conhecida.

Eu particularmente tenho receio de looks tão inspirados numa só década, como o que registrei em Londres. Fica parecendo figurino. Gosto mais da moda que é revisitada com o olhar dos nossos tempos, misturando peças de ontem com referências atuais. Esse mix, que não é simples de fazer, é o segredo para passear pela história da Moda com desenvoltura, sem parecer caricata.

Katie Holmes ao lado do marido Tom Cruise. A atriz fica linda com o estilo "anos 20 revisitado".

 

Olha a Blair Waldorf, personagem de Leighton Meester em Gossip Girl, com seu cloche em plena Manhattan de hoje.

Se bem que adorei ter visto aquela menina “anos 20” caminhando pela Londres de 2010. Para uma turista que não tinha muito o que fazer e estava ali sentada, curtindo o tempo passar, produções caprichadas como a dela são um deleite visual.

Um bom final de semana prolongado a todos.

Bjks,

Pat K

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Dia de modelo

•2010/11/09 • 2 Comentários

Hoje é o lançamento da revista FG, que mostra parte da atual coleção do designer de jóias Fabrizio Giannone. E eu estou muito feliz porque participei do ensaio de portraits ao lado de Luiza Brunet, Larissa Maciel, Monique Alfradique e Vitória Frate.

Foto: André Wanderley / Beleza: Edilson Ferreira / Styling: Athria Gomes / Assistente de styling: Alexandre Martins

Essa é a foto que está na revista. Todas as peças que uso são do designer, que é um mestre no uso das pedras.

Virei fã.

Queria aproveitar para agradecer o convite para participar dessa edição, que está linda. Na página de Fabrizio Giannone, há a edição virtual da revista. Aproveitem!

Por Patrícia Koslinski

O que podemos aprender com os homens (britânicos)

•2010/11/08 • 1 Comentário

Nas minhas viagens para a Europa, sempre me impressiona como o londrino (e todo o ser que por lá mora e adquire os hábitos locais) ama a combinação de cinza com rosa. Engraçado porque aqui no Brasil nossa cultura super machista trata sempre de catalogar rosa como cor “de menina”. Pois aqui uma prova fotográfica de como cai bem em rapazes que prezam elegância.

Será que ele é...? E isso importa? Quem foi que disse que usar rosa não é coisa de homem? A combinação de cinza e rosa é uma das mais felizes do guarda-roupa masculino. E os homens londrinos nos ensinam muito bem como usá-la. Sem tabus.

Eu sempre fui fã de cinza com rosa. Lembro de um biquini que tive quando pré-adolescente. Como usei aquelas duas peças pequeninas – cortininha em cima, fio dental em baixo (sim, aderi a essa moda ousada dos anos 80! rsrsrsrs).

A primeira vez que me lembro de ter visto – e admirado – um homem vestindo rosa foi pouco depois do tal biquini, quando minha mãe começou a namorar um tal “tio João” que, mais tarde, se tornaria o querido tio João, padrasto que virou amigo, pessoa de um bom gosto despretensioso incrível.

Tio João usava camisa pólo rosa, camisa social rosa, e nunca se importou com isso. Tio Augusto, amigo dele, também não se importava com a cor e usava com desenvoltura. Em comum, ambos tinham no currículo anos vividos fora do Brasil, na borbulhante Manhattan. Tio João ainda acumulava também anos de Londres, cidade que, aliás, ensinou minha mãe a admirar, e ela fez o grande favor de me transmitir essa deliciosa herança.

Uma vez o consultor e jornalista de moda, especializado em moda masculina, Lula Rodrigues comentou durante a transmissão ao vivo, no GNT, de um desfile da Reserva que o homem brasileiro tem pudores com rosa. E, brincando, deu a dica: “diz que é salmão que ele aceita e usa”.

Fica então a dica do Lula, que admiro justamente pela sua perspectiva de realidade quando fala de moda. É assim com subterfúgios que a gente vai, de leve, abrindo os horizontes da moda para os meninos brasileiros.

Bjks,

Patrícia Koslinski

O que podemos aprender com as crianças

•2010/11/05 • 3 Comentários

Eu adoro observar o comportamento infantil. Com bem menos amarras sociais que nós, adultos, as crianças dão aula de como ser espontâneo e ter personalidade.

Azul, preto, branco, vermelho, desenhos, bolas... tudo junto e misturado numa alquimia perfeita, digna dos melhores stylists.

A foto que tirei em Londres dessa menina multicolorida me fez pensar nisso. Vocês se imaginam misturando estampas assim? Eu confesso que se juntasse só duas delas já teria que lidar com aquela insegurançazinha de que estão todos olhando, julgando, achando estranho.

Não tem jeito: depois de adultos, nos vestimos para os outros também. Ou seria mais para eles do que para a gente? Enfim, cada caso é um caso e cada pessoa mantém uma relação com o vestir e mais ainda com o ousar. Mas certo é que só na infância – e talvez só na primeira, porque quanto mais perto da pré-adolescência, mais influenciados pelos modismos e olhares estamos – acabamos nos vestindo para nós mesmos.

Será que essa menina leu revistas? Alguém ensinou a ela os truques de como mesclar estampas, seguindo uma harmonia de tons e formas? É bem provável que não. Por mais que ela seja influenciada por anúncios, ídolos e modismos que atingem sua geração, a combinação aparentemente desconexa, mas a um segundo olhar cheia de razão, onde tudo acaba se encaixando perfeitamente – as bolas, os desenhos, as cores e até o tênis vermelho que contrasta ainda mais com tudo! – enfim, esse mix que me chamou atenção parte do princípio de que é assim que ela se vê, é assim que se gosta, é assim que quer ser vista. E tudo isso, provavelmente, nasce de forma bem mais intuitiva do que na gente.

Porque se um dia eu quiser sair assim, reproduzindo a (des)combinação da garota, tenho certeza que serei reprovada por mim mesma, pela minha razão, pelas minhas leituras de moda que ajudam na construção do que considero meu estilo… Enfim, mesmo que eu goste dessa mistura, é mais provável que eu não tenha coragem de usá-la.

Carnaval de 1984. Na fotos, meus amigos de infância Milena, Fabiana, Tatiana, Danilo, entre primos e amigos desses. No canto, meu irmão Marcelo, de pirata. Todos produzidíssimos para o baile de Ponta Negra!

E acabo de me lembrar de uma foto que uma amiga de infância postou no facebook… Trata-se de um Carnaval em Ponta Negra, na Região dos Lagos Fluminense. Eu estava de rumbeira dourada e estava realmente uma graça. Linda! – para abandonar a modéstia.

Pois quando eu era pequena, eu era meio como essa menina que achei em Londres. Usava o que queria: brincão, muitas pulseiras, unhas coloridas… E era a única na sala de aula que fazia aquilo. Se eu me preocupava por ser diferente? Não tinha a mínima consciência disso!

Naquele Carnaval mesmo, ser rumbeira não estava bem na moda. Odalisca, havaiana e melindrosa eram bem mais in. Mas aquela rumbeira dourada… Ai, ai, como resistir…

E lembro bem da minha mãe falando naqueles tempos: “Deixa essa menina ser extravagante assim quando criança. Vai ficar uma adulta mais básica, mais normal!” Hoje rio disso. E vendo a foto da menina em Londres, penso que talvez a vida fosse bem mais divertida se tivesse restado na adulta que me tornei um pouco mais da ousadia infantil.

Bjks,

Patrícia Kolsinski

London, London

•2010/11/04 • 1 Comentário

Bolsa-maleta que é a sensação do outono-inverno em Londres

Londres, para mim. é inspiração pura. Nunca conheci uma cidade com tanto controle e, ao mesmo tempo, tanta liberdade. Digo isso porque lá todos andam “na linha”, uma vez que sair dela, ou seja, transgredir as regras vigentes que dão ordem à vida em sociedade significa ser punido severamente. Em poucas palavras: pesa no bolso.

Figurino ou produção do dia-a-dia? Fato é que essa menina ama os anos 20

Já na moda, transgredir, ousar, experimentar são palavras que norteiam o visual dos londrinos (sejam eles de lá mesmo ou vindos de toda parte do mundo).  A capital do Reino Unido é uma espécie de terra de ninguém, uma vez que poucos efetivamente nasceram lá, mas, ao mesmo tempo, é um lugar de TODOS. A maioria desembarca atrás de oportunidades. E muitos chegam atraídos justamente por esse mix aparentemente dicotômico de ordenação estrita e liberdade extrema. Mas bastam alguns dias por lá tentando ver Londres sem os olhos de um turista – daqueles que se importam com monumentos e lojas de departamento – para entender como se dá essa equação fascinante. 

Elegante...

... elegante com casaco estampado e nada óbvio...

... E por que não elegante também? Londres nos leva a rever nossos conceitos.

As fotos que ilustram esse post foram feitas por mim durante uma tarde sentada em um café à beira do Rio Tâmisa, que corta a cidade de leste a oeste. A revitalização da cidade na última década, por conta da virada do milênio e agora das Olimpíadas de 2012, que aconterão por lá, fizeram com que a orla sul do Rio fosse transformada num grande calçadão por onde passam muitos (mesmo!) turistas e também moradores da cidade que usam a via de pedestres como caminho agradável para fazer o trajeto entre escritório e o metrô.

Engravatado com a combinação preferida de quem trabalha por aquelas bandas: terno cinza e camisa rosa. A gravata xadrez já é o toque de ousadia dele mesmo.

Para quem curte sneakers - esses tênis estilosos - Londres é uma festa!

Ao longo dos próximos dias, conto melhor o que me chamou atenção em cada foto. Cada uma tem sua história, sua explicação. E acho que todas podem nos ajudar a olhar para nosso próprio estilo e, quem sabe, encontrar, a nosso jeito, novas possibilidades do vestir.

Adoro a ousadia infantil na hora de (des)combinar. No fim, tudo parece conversar entre si, num mix inusitado e super contemporâneo, mas que ali, com certeza, nasceu intuitivamente, como numa brincadeira.

Pensem em Londres com carinho. Para quem curte moda, é uma viagem a ser feita. Sempre.

Bjks carinhosas,

Pat K

Menos é mais

•2010/10/20 • 5 Comentários

Eu tenho pensado muito nessa máxima que dá título ao post de hoje. Menos é mais.

Eu nunca fui de “menos”. Sempre fui de “mais”. Lembro, quando criança, de ir para o colégio cheia de balangandãs. Minha mãe, essa, sim, de “menos”, adepta do esmalte misturinha e das roupas com poucas informações, dizia: “deixa ela ser perua agora… quando for adulta, vai ter esgotado toda vontade”. Eu ria e não acreditava. Achava que ser “mais” era minha sina.

Pois o tempo tem provado que profecia de mãe tem mesmo fundamento. Vejo que venho limpando meu estilo. Os excessos cada vez são passado. Seria a idade? Porque tendo a achar que exageros acabam combinando mais com o frescor e a despreocupação da juventude… Vejo mulheres mais velhas e as que considero elegantes são sempre as que apostam em boas peças, com poucos elementos, mas muita elegância.

 

Glória Kalil sabe muito bem a diferença entre um acessório marcante e uma ousadia desmedida. Nesse look, o lenço colorido e grande é o destaque, mas sem pesar a mão e comprometer a produção toda montada com peças clássicas. Ótimo para nos inspirar!

Isso não significa, na minha opinião, fugir de cores e acessórios. Ser adepta do “menos é mais” não significa ser minimalista – tendência que voltou em 2010 através das grifes Céline e Chloé, num resgate da moda dos anos 90. E defendo meu ponto citando dois exemplos de mulheres elegantes que estão sempre impecáveis com seus lenços nos pescoços, suas pulseiras nos braços, seus casacos de cores fortes, porém, e apesar disso, sóbrias. Falo de Glória Kalil e Regina Martelli, para mim, ícones do que considero a perfeita equação do “menos é mais”.

As consultoras de moda Glória Kalil e Regina Martelli são exemplos de elegância com pouco esforço (pelo menos aparente).

As duas são, para mim, o exemplo de como ser sempre mais – ou seja, sobressair, ser ícone – com menos – boas peças, de corte preciso, tecidos impecáveis, cores de impacto que tiram o básico da mesmice, mas sem transformá-lo em exótico.

Clássicos, como a camisa de malha listrada, são peças imprescindíveis para quem quer montar um guarda-roupa onde "menos é mais".

Lembro de Glória caminhando pelo Pavilhão da Bienal no último São Paulo Fashion Week com casaco 7/8 amarelo ovo com cachecol roxo. Duas peças marcantes, uma combinação ousada… e o resultado: uma imagem que ficou para mim como símbolo da elegância nada óbvia, mas nem por isso excêntrica.

As cores podem, sim, estar num guarda-roupa "menos é mais". Por que não?

Regina Martelli, por sua vez, me inspira por parecer se divertir com o que veste. Está sempre impecavelmente produzida, mas sem parecer montada. Tem uma leveza típica de quem vive no Rio de Janeiro e sabe que ser elegante é bem mais simples e bem menos matemático do que a maioria dos “certos e errados” nos fazem crer.

Regina Martelli e sua elegância sempre sorridente e atenciosa.

Certa vez entrevistei Regina para o programa Tamanho Único, do GNT, e tive o privilégio de entrar no seu closet – na verdade um quarto de vestir. Fiquei encantada com o acervo vasto de acessórios da consultora de moda. Ela guarda uma quantidade incrível de colares, pulseiras, anéis, brincos, óculos, lenços, bolsas, dos mais variados estilos, passando por todos os tipos de materiais – dos mais caros aos mais baratos.

Bases neutras e acessórios coloridos - equação certeira para qualquer verão, independente dos modismos

Pois foi ali, diante daquele mundo de possibilidades, dentro do closet de Regina, que me dei conta de que o meu “menos é mais” deveria seguir por esse mesmo caminho: bases neutras e acessórios relevantes.

É esse exercício que venho fazendo nos últimos meses. É nesse caminho que pretendo evoluir daqui pra frente.

Bjks,

Patrícia Koslinski.

Orla Kiely, Londres

•2010/10/19 • 2 Comentários

Estampa by Orla Kiely

Da última vez que fui a Londres, me apaixonei pelo trabalho da irlandesa Orla Kiely. Não conhecia suas estampas alegres, com “os dois pés” nos anos 60, e que me lembram muito uma mesa que minha avó tinha e eu, infelizmente, não fui pró-ativa o suficiente para pegar antes que ela desse para outra pessoa. Arrependimento!

Mas nada como uma bolsa da Orla Kiely – ou uma blusa, carteira, vestido, mala… o que o dinheiro permitir – para resgatar a essência daqueles tempos alegres, cheios de inocência (?) e cor.

Estampa by Orla Kiely

A grife nasceu em 1995 valorizando o bom design, sem esquecer da utilidade – equação às vezes esquecida por quem faz moda. Sua marca são as padronagens coloridas e gráficas, justamente o que me chamou atenção durante uma caminhada despreocupada pela região do Soho londrino.

Aqui o link para você apreciar o trabalho de Orla Kiely: http://www.orlakiely.com/uk/

E aqui o link do filme com a coleção outono-inverno 2010 da designer: http://www.orlakiely.com/uk/?collection_film.

Look da coleção outono-inverno 2010 em tons mais sóbrios

Bjks,

Patrícia Koslinski